13 de fevereiro de 2008

Expectativas

A minha avó Celina sempre soube gerir com mestria dois papeis muito distintos. Por um lado, o de mulher em segundo plano, que gere a casa e atende ao marido e aos filhos. Por outro, o de mulher auto-suficiente e independente económicamente. A sua mãe foi provavelmente uma das poucas mulheres legalmente divorciadas da sua geração, ficando com os seus 6 filhos a cargo. Talvez por isso, a noção de ser necessário o auto-sustento, sem depender seja de quem for, é algo primário para a minha avó. Durante muito tempo, aliás, inverteram-se os papeis tradicionais e foi também ela que sustentou a casa com os seus trabalhos de custura, que a alfaiataria do meu avô, com o advento do pronto-a-vestir, dava pouco mais que prejuizo. A integração destes dois papeis sempre foi exímia. E muito bem ilustrada pelo facto de, sempre que recebia dinheiro, a minha avó ter o cuidado de colocar, sorrateiramente, parte dele na carteira do meu avô. Para que sempre tivesse algum "para as suas coisas" e não se sentisse humilhado tendo que pedir.

Agora, comigo, exige-me que seja igual. A culpa do João não comer fruta é minha, que não lhe descasco. E corro também sérios riscos de ele sofrer uma grave desilusão se não lhe fizer jantar nos dias em que chega mais tarde e em que, por isso mesmo, tenho mais trabalho com os miúdos. Ele talvez exija o divórcio por eu lhe sugerir que traga um frango demasiadas vezes. Por outro lado acha que a minha insistência anual para ir à pendura ao Lés a Lés é injustificada. Eu devia era tirar a carta de moto e fazer equipa com ele, em pé de igualdade.

Tenho genuina pena em desiludi-la. Não só tenho medo de conduzir uma moto como acho que, não é que tenha direito de o exigir, é claro, mas não acho descabido que o João me descasque uma fruta a mim.

7 comentários:

Anónimo disse...

Pensei que o joao era filho e ja estava pronta para escrever a dizer-lhe que devemos continuar a oferecer fruta as criancas, pois e depois de muitas experiencias que estas desenvolvem paladar para as coisas. quando digo oferecer, e descascar e por em frente, nao enfiar pela guela abaixo.

Ja constatei que o Joao e um adulto. : )
Portanto nao e nada descabido que faca um o jantar e o outro lave os pratos. Um franguinho dos grelhados da alta e uma delicia, e portanto nao acho que seja motivo de divorcio.
Devemos fazer aquilo que podemos na medida que sabemos e o nosso corpo permite.

Joana disse...

E as pizzas da Baci e Abracci tb ja estao instituidas às sextas-feiras :-). Sao mto boas, ficam mesmo ao lado dos grelhados.

Manuel Rocha disse...

Humm...diga ao João que sugiro uma belissima Baia do Algarve cortada aos gomos ( é de época e de produção nacional, comme il faut )...se a Joana não gostar ele que me culpe pela má sugestão...:))

Gostei dessa sua avô...já percebi de onde lhe vem a si o tempero ..:))

pin girl disse...

E que saudades tenho eu da minha avó, Joana... :D

As histórias das avós - e as opiniões delas, por vezes um pouco desabridas mas sempre muito típicas do carácter de avós...- são, sem dúvida, a herança mais valiosa que nos deixam...até estes comentários te farão rir um dia que te sintas a abrir o baú das memórias!

Por falar nisso, abro o meu todos os dias...agora que não a tenho comigo.

Obrigada pela tua visita!
Gostei muito do teu blogue...e deste momento!

espertinha disse...

Se andamos numa de sugestões de comida feita na Alta, a Speedy Pizza tem umas pizzas na brasa que já são uma instituição cá em casa ao Domingo à noite. Uma pizza e o Prof. Martelo, com o puto a dormir, tá o serão feito!

Anónimo disse...

Olá...~
Isto é para a Espertinha:
Podes me dizer a morada exacta da Speedy Pizza na alta de lisboa? Gostava de lá ir...bjs

espertinha disse...

Olá, anónimo,

A morada, não sei dizer, porque nós encomendamos sempre, mas pelo telefone deve dar para saber: 217530960/1 ou 966831448.

Para quem gosta de delícias do mar e cogumelos, recomendo a pizza "Mar e montes" ;)

Bom apetite!