14 de dezembro de 2010

update

O Pedro já lê.
A Rita já anda.
O Luis continua, esquecido, no limbo do meio.

8 de junho de 2010

Reconhecimento

Acrescento que a maternidade, além de sanguessuga, carece de reconhecimento. O meu filho Luis, há uma semana de férias com os avós, já quer voltar para casa. Tem saudades do pai e do Super Mário.

Eu, quando for velha e livre, hei-de bordar e restaurar cadeiras.

20 de maio de 2010

Power

No ano passado por esta altura (era o nesting...) perdi o medo irracional dos berbequins. Coloquei prateleiras e organizei os armários.

Senti um certo empowerment ao fazer tudo sozinha. Há um ano que já não dependo do João para, enfadado, montar prateleiras ou pendurar quadros.

Compreendo agora porque se chamam power tools.

12 de abril de 2010

Sem rodinhas

Demorou menos de 1 hora, entre tirar as rodinhas e andar sozinho.

12 de março de 2010

Pedro

Perguntei-lhe, para fazer conversa no carro, se preferia o judo ou a natação.

- A natação. O judo é muito cansativo e prefiro ficar no banco a ver os outros meninos.
- Não gostas?!?
- Não...
- Então e ainda não tinhas dito nada?!
- Porquê? Há assim alguma maneira de impedir?

Deu-me um nó na garganta. Não é pequeno demais para achar que o sacrifício é inevitável?

Às vezes tenho medo que seja um miúdo triste.

29 de janeiro de 2010

Cinco meses depois

Estou de volta ao trabalho. Das outras vezes escureci em casa. Fiquei carrancuda. Chata. A maternidade oprimiu-me. Agora, acho que era a tese por acabar que me pesava nos ombros. Não os filhos.

Desta vez desabrochei e é agora, de volta, que me sinto cinzenta. Apetecia-me ficar em casa e mandar a faculdade às urtigas. O João não percebe. Diz que com os filhos mais velhos ia sentir falta do trabalho para me preencher. Mas o meu trabalho não me preenche, esvazia-me: o tempo, a energia, a criatividade.

Confunde-se "não trabalhar" com ociosidade. Eu gostava de "não trabalhar" precisamente porque há tanta coisa que gosto e quero fazer. Tanta coisa mais útil, até, do ponto de vista social. Tanta coisa pela qual mais valia receber. Mas hoje se "não se recebe", "não se trabalha". É o ordenado ao fim do mês que valida o contributo de cada um. Que nos rotula de trabalhador, ou pária da sociedade.

Ao fim de 40 anos, estamos na mesma. Dantes, ai da mulher que desejasse uma carreira. Agora, ai da mulher que não a deseje. O feminismo lixou-me. Vou arder no inferno, já sei. E o diabo há-de mandar-me escrever artigos, analisar dados e candidatar-me a bolsas por toda a eternidade.