24 de fevereiro de 2011

Relatividade

Andamos com um carro de substituição. Um FIAT Punto, retro, com vidros manuais atrás.

Os dois saloios do século XXI estavam deliciados: "Mãe! Esperei por isto a minha vida toda! Agora com esta invenção posso controlar os meus próprios vidros!"

É o futuro, que já cá chegou!

10 de fevereiro de 2011

Epitáfio

O Pedro anda a explorar a "morte". Posso ir ao funeral da avó Celina? Porque é que não fui ao funeral da avó Raquel? O que é ser cremado? Podem-se fazer múmias em Portugal? Vais doar o teu corpo à ciência, mãe?...

Às tantas pergunta-me o que vou escrever na minha lápide. "Não sei. Tu e os teus irmãos é que decidem. Tens sugestões?". Pensa um bocado... "Que tal assim: Gostámos muito de ti. Agora adeusinho."

Não é a costumeira foleirada do "Saudosa família...". Mas, pá, é assim como ser despedida de um emprego. Sem indeminização.

1 de fevereiro de 2011

Cobre e lã

Parece que foi ontem: sete anos de casados! Esqueci-me. Cheguei hoje ao trabalho e tinha um e-mail do Geni a lembrar-me que os presentes tradicionais são de cobre e lã.

Gosto disto de não ligarmos às datas. Não faz sentido contar anos quando é para sempre, não é? :-) Só me chateia não receber os presentes. Uma canadiana de caxemira cinzenta, assim por exemplo...

10 de janeiro de 2011

status

Desde que fez 4 anos, o Luis, orgulhoso, apresenta-se:
- Olá! Eu tenho 4 anos!

Na semana passada mudou de fórmula. Dá-lhe mais status:
- Olá! Eu tenho piolhos!

14 de dezembro de 2010

update

O Pedro já lê.
A Rita já anda.
O Luis continua, esquecido, no limbo do meio.

8 de junho de 2010

Reconhecimento

Acrescento que a maternidade, além de sanguessuga, carece de reconhecimento. O meu filho Luis, há uma semana de férias com os avós, já quer voltar para casa. Tem saudades do pai e do Super Mário.

Eu, quando for velha e livre, hei-de bordar e restaurar cadeiras.

20 de maio de 2010

Power

No ano passado por esta altura (era o nesting...) perdi o medo irracional dos berbequins. Coloquei prateleiras e organizei os armários.

Senti um certo empowerment ao fazer tudo sozinha. Há um ano que já não dependo do João para, enfadado, montar prateleiras ou pendurar quadros.

Compreendo agora porque se chamam power tools.

12 de abril de 2010

12 de março de 2010

Pedro

Perguntei-lhe, para fazer conversa no carro, se preferia o judo ou a natação.

- A natação. O judo é muito cansativo e prefiro ficar no banco a ver os outros meninos.
- Não gostas?!?
- Não...
- Então e ainda não tinhas dito nada?!
- Porquê? Há assim alguma maneira de impedir?

Deu-me um nó na garganta. Não é pequeno demais para achar que o sacrifício é inevitável?

Às vezes tenho medo que seja um miúdo triste.

29 de janeiro de 2010

Cinco meses depois

Estou de volta ao trabalho. Das outras vezes escureci em casa. Fiquei carrancuda. Chata. A maternidade oprimiu-me. Agora, acho que era a tese por acabar que me pesava nos ombros. Não os filhos.

Desta vez desabrochei e é agora, de volta, que me sinto cinzenta. Apetecia-me ficar em casa e mandar a faculdade às urtigas. O João não percebe. Diz que com os filhos mais velhos ia sentir falta do trabalho para me preencher. Mas o meu trabalho não me preenche, esvazia-me: o tempo, a energia, a criatividade.

Confunde-se "não trabalhar" com ociosidade. Eu gostava de "não trabalhar" precisamente porque há tanta coisa que gosto e quero fazer. Tanta coisa mais útil, até, do ponto de vista social. Tanta coisa pela qual mais valia receber. Mas hoje se "não se recebe", "não se trabalha". É o ordenado ao fim do mês que valida o contributo de cada um. Que nos rotula de trabalhador, ou pária da sociedade.

Ao fim de 40 anos, estamos na mesma. Dantes, ai da mulher que desejasse uma carreira. Agora, ai da mulher que não a deseje. O feminismo lixou-me. Vou arder no inferno, já sei. E o diabo há-de mandar-me escrever artigos, analisar dados e candidatar-me a bolsas por toda a eternidade.

19 de novembro de 2009

5

Cinco anos. Primeiro desenho da família a 5. Todos com cinco dedos em cada mão, sempre. Normalmente o espaço da folha só é gerido para caberem 4 de nós. Mas a Rita está no sling e, tal como na realidade, quase não ocupa espaço próprio porque é ainda um apêndice de mim.

Continuamos sem pescoço, sem sapatos e sem estar penteados. É da preguiça.

6 de novembro de 2009

O xis da questão

O Luis passou os terrible two e adianta-se pelos terrible three. Menos choros e birras, mais teimosias. Tira os sapatos. Não! Não tires as meias. Sim! Espera que estou a dar de mamar à Rita. Agora! Tudo com muito drama.

Ao comer sopa de letras começa a gritar "Xis não, xis não". E eu, porque só quero paz e sossego, trato de tirar xizes para a borda do prato. No fim enche a colher: "Agora todos!" Engole uma colherada de Xxxxx e a cozinha fica finalmente em silêncio.

1 de novembro de 2009

29 de setembro de 2009

Rita

Já nasceu há mais de um mês mas, como é a terceira, ainda não havia fotos.

24 de julho de 2009

Não se nota

A mais coisa menos coisa de 4 semanas do parto, resolvi andar com o cartão do SNS comigo. Não vá ser preciso, assim de repente. Tinha-o perdido (ao papel A4, para quem espera o cartão há 5 anos). Passei por lá e foram rápidos e eficientes: imprimiram-me um novo na hora, fiquei novamente encartada. "Já agora", disse eu, "não me pode colocar a indicação de isenção de taxa moderadora?". Parece que não. O mais que evidente bebé dentro de mim não chega, não me qualifica. Só estou grávida se um médico o disser.

Eu compreendo, é para evitar as fraudes, eu poderia estar a mentir. Aliás, garantem-me as minhas primas, "de costas nem se nota nada Joana!".

15 de maio de 2009

Um presente

Ontem não fui buscar o Pedro à escola, como de costume. Ao chegar a casa, uma surpresa, um desenho da família: Pai, Pedro, Luis. No canto, uma nota escrita pela educadora: "A mãe não cabe no desenho porque está muito gorda e ainda vai ficar mais porque tem a Rita lá dentro".

São a alegria de uma mulher, os filhos.

3 de abril de 2009

XX/XY

O meu sogro acha que não me teria feito nada mal brincar mais com bonecas quando era miúda.