Ao telefone com o Centro de Emprego.
- Gostaria de saber do que necessito levar para me inscrever.
- O seu BI, número de contribuinte, essas coisas...
- E o CV?
- O quê??
- O currículo...
- Ah, isso não é preciso...
12 de setembro de 2011
10 de setembro de 2011
Generation gap
Pedro, com o recém-adquirido Magalhães:
- Mãe, vou levar no carro para mandar uns mails.
- Não dá, porque é preciso internet para mandar mails.
- O nosso carro não tem internet??!!!
- Mãe, vou levar no carro para mandar uns mails.
- Não dá, porque é preciso internet para mandar mails.
- O nosso carro não tem internet??!!!
17 de abril de 2011
Não
"Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém* que diz não."
*É a Rita.
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém* que diz não."
*É a Rita.
12 de abril de 2011
24 de março de 2011
Constatação
É triste perceber que, enquanto bolseira, não tenho quaisquer benefícios sociais porque os sucessivos PECs que ultrajaram o país não me conseguiram retirar nenhum.
Nem unzinho para me poder queixar que estou pior!
Nem unzinho para me poder queixar que estou pior!
23 de março de 2011
18 de março de 2011
17 de março de 2011
24 de fevereiro de 2011
Relatividade
Andamos com um carro de substituição. Um FIAT Punto, retro, com vidros manuais atrás.
Os dois saloios do século XXI estavam deliciados: "Mãe! Esperei por isto a minha vida toda! Agora com esta invenção posso controlar os meus próprios vidros!"
É o futuro, que já cá chegou!
Os dois saloios do século XXI estavam deliciados: "Mãe! Esperei por isto a minha vida toda! Agora com esta invenção posso controlar os meus próprios vidros!"
É o futuro, que já cá chegou!
10 de fevereiro de 2011
Epitáfio
O Pedro anda a explorar a "morte". Posso ir ao funeral da avó Celina? Porque é que não fui ao funeral da avó Raquel? O que é ser cremado? Podem-se fazer múmias em Portugal? Vais doar o teu corpo à ciência, mãe?...
Às tantas pergunta-me o que vou escrever na minha lápide. "Não sei. Tu e os teus irmãos é que decidem. Tens sugestões?". Pensa um bocado... "Que tal assim: Gostámos muito de ti. Agora adeusinho."
Não é a costumeira foleirada do "Saudosa família...". Mas, pá, é assim como ser despedida de um emprego. Sem indeminização.
Às tantas pergunta-me o que vou escrever na minha lápide. "Não sei. Tu e os teus irmãos é que decidem. Tens sugestões?". Pensa um bocado... "Que tal assim: Gostámos muito de ti. Agora adeusinho."
Não é a costumeira foleirada do "Saudosa família...". Mas, pá, é assim como ser despedida de um emprego. Sem indeminização.
1 de fevereiro de 2011
Cobre e lã
Parece que foi ontem: sete anos de casados! Esqueci-me. Cheguei hoje ao trabalho e tinha um e-mail do Geni a lembrar-me que os presentes tradicionais são de cobre e lã.
Gosto disto de não ligarmos às datas. Não faz sentido contar anos quando é para sempre, não é? :-) Só me chateia não receber os presentes. Uma canadiana de caxemira cinzenta, assim por exemplo...
Gosto disto de não ligarmos às datas. Não faz sentido contar anos quando é para sempre, não é? :-) Só me chateia não receber os presentes. Uma canadiana de caxemira cinzenta, assim por exemplo...
10 de janeiro de 2011
status
Desde que fez 4 anos, o Luis, orgulhoso, apresenta-se:
- Olá! Eu tenho 4 anos!
Na semana passada mudou de fórmula. Dá-lhe mais status:
- Olá! Eu tenho piolhos!
- Olá! Eu tenho 4 anos!
Na semana passada mudou de fórmula. Dá-lhe mais status:
- Olá! Eu tenho piolhos!
14 de dezembro de 2010
30 de junho de 2010
8 de junho de 2010
Reconhecimento
Acrescento que a maternidade, além de sanguessuga, carece de reconhecimento. O meu filho Luis, há uma semana de férias com os avós, já quer voltar para casa. Tem saudades do pai e do Super Mário.
Eu, quando for velha e livre, hei-de bordar e restaurar cadeiras.
Eu, quando for velha e livre, hei-de bordar e restaurar cadeiras.
20 de maio de 2010
Power
No ano passado por esta altura (era o nesting...) perdi o medo irracional dos berbequins. Coloquei prateleiras e organizei os armários.
Senti um certo empowerment ao fazer tudo sozinha. Há um ano que já não dependo do João para, enfadado, montar prateleiras ou pendurar quadros.
Compreendo agora porque se chamam power tools.
Senti um certo empowerment ao fazer tudo sozinha. Há um ano que já não dependo do João para, enfadado, montar prateleiras ou pendurar quadros.
Compreendo agora porque se chamam power tools.
12 de abril de 2010
9 de abril de 2010
12 de março de 2010
Pedro
Perguntei-lhe, para fazer conversa no carro, se preferia o judo ou a natação.
- A natação. O judo é muito cansativo e prefiro ficar no banco a ver os outros meninos.
- Não gostas?!?
- Não...
- Então e ainda não tinhas dito nada?!
- Porquê? Há assim alguma maneira de impedir?
Deu-me um nó na garganta. Não é pequeno demais para achar que o sacrifício é inevitável?
Às vezes tenho medo que seja um miúdo triste.
- A natação. O judo é muito cansativo e prefiro ficar no banco a ver os outros meninos.
- Não gostas?!?
- Não...
- Então e ainda não tinhas dito nada?!
- Porquê? Há assim alguma maneira de impedir?
Deu-me um nó na garganta. Não é pequeno demais para achar que o sacrifício é inevitável?
Às vezes tenho medo que seja um miúdo triste.
29 de janeiro de 2010
Cinco meses depois
Estou de volta ao trabalho. Das outras vezes escureci em casa. Fiquei carrancuda. Chata. A maternidade oprimiu-me. Agora, acho que era a tese por acabar que me pesava nos ombros. Não os filhos.
Desta vez desabrochei e é agora, de volta, que me sinto cinzenta. Apetecia-me ficar em casa e mandar a faculdade às urtigas. O João não percebe. Diz que com os filhos mais velhos ia sentir falta do trabalho para me preencher. Mas o meu trabalho não me preenche, esvazia-me: o tempo, a energia, a criatividade.
Confunde-se "não trabalhar" com ociosidade. Eu gostava de "não trabalhar" precisamente porque há tanta coisa que gosto e quero fazer. Tanta coisa mais útil, até, do ponto de vista social. Tanta coisa pela qual mais valia receber. Mas hoje se "não se recebe", "não se trabalha". É o ordenado ao fim do mês que valida o contributo de cada um. Que nos rotula de trabalhador, ou pária da sociedade.
Ao fim de 40 anos, estamos na mesma. Dantes, ai da mulher que desejasse uma carreira. Agora, ai da mulher que não a deseje. O feminismo lixou-me. Vou arder no inferno, já sei. E o diabo há-de mandar-me escrever artigos, analisar dados e candidatar-me a bolsas por toda a eternidade.
Desta vez desabrochei e é agora, de volta, que me sinto cinzenta. Apetecia-me ficar em casa e mandar a faculdade às urtigas. O João não percebe. Diz que com os filhos mais velhos ia sentir falta do trabalho para me preencher. Mas o meu trabalho não me preenche, esvazia-me: o tempo, a energia, a criatividade.
Confunde-se "não trabalhar" com ociosidade. Eu gostava de "não trabalhar" precisamente porque há tanta coisa que gosto e quero fazer. Tanta coisa mais útil, até, do ponto de vista social. Tanta coisa pela qual mais valia receber. Mas hoje se "não se recebe", "não se trabalha". É o ordenado ao fim do mês que valida o contributo de cada um. Que nos rotula de trabalhador, ou pária da sociedade.
Ao fim de 40 anos, estamos na mesma. Dantes, ai da mulher que desejasse uma carreira. Agora, ai da mulher que não a deseje. O feminismo lixou-me. Vou arder no inferno, já sei. E o diabo há-de mandar-me escrever artigos, analisar dados e candidatar-me a bolsas por toda a eternidade.
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