3 de julho de 2007

Sociedade de consumo

A reparação do frigorífico sai a pouco menos do que um novo. Se lhe juntar uma reparação anterior, de há uns meses atrás, sai ao mesmo preço. E se decobrissem mais qualquer coisinha estragada, de modo a que optasse, a posteriori, por um novo, então pagaria uma taxa de recusa de orçamento de qualquer coisa como setenta e tal euros.

Mais comprar um novo.

Mais o risco de nova avaria para breve, sem garantia.

Vou comprar um novo, portanto. Maior, mais adequado a uma família de quatro. E que fique ali quietinho na cozinha, agora que temos uma casa grande. Afinal, este, o velho, passou por 2 mudanças e 3 casas diferentes.

Isto digo eu para me sentir justificada. Este só tinha 5 anos! Não é envelhecimento precoce? Parece que não. Segundo o técnico de reparações é a idade média dos electrodomésticos. É também a opinião da Clara e da minha vizinha da frente. "Mas a máquina de lavar da minha mãe lavou fraldas do meu irmão que já tem 30 anos!", digo eu. "E o frigorífico é o mesmo desde que me lembro!". "Eram outros tempos, outro material, minha senhora...", diz-me o técnico.

Mais do que o dinheiro que vou gastar deprime-me viver nestes tempos. Ou, antes, que estes tempos sejam assim, descartáveis.

Por isso, no Domingo, na FIA, quase me comovi ao ver a transformação de uma embalagem de sumo em carrinho para brincadeiras. Era um workshop da Oficina ReCriativa. Parece que em 2 horas podemos aprender a fazer brinquedos da maioria do desperdício doméstico.

E reparo, a sério que reparo, que o Pedro (ainda) diz "Mãe, arranja" e não "Mãe, compra outro". É claro que se eu medir a qualidade dos produtos de hoje pelo tempo médio que ele leva a proferir estas palavras não tenho motivos para me animar.

1 comentário:

Ana disse...

Não tem directamente a ver mas...tem! :-P

http://www.markenfirmen.com/english/book.htm

Conheces este livro?

Eu gostava de folheá-lo...

"Estranhamente" não está editado em inglês... ;-)