11 de julho de 2007

Oniricismos

Um anfiteatro cheio de gente que não me deixa começar. As interrupções são constantes. Por fim, farto-me, ponho toda a gente na rua e fecho a porta atrás de mim. O júri perfila-se à minha frente. De repente, apercebo-me que não havia preparado uma apresentação, não tenho uma cópia da tese ou qualquer documento de apoio. Só me faltava ter vindo nua para me sentir mais desamparada. Respiro fundo e sinto o nervoso a crescer.

"Planos para o futuro?", pergunta o Rui. "Futuro? E não me fazem perguntas sobre a tese? Não há discussão?". "Bom, eu tenho umas boas perguntas para fazer, mas acho que te vais enterrar, não sei se não é melhor saltar essa parte...", diz o Eduardo B., procurando a confirmação dos restantes. "Sim, se calhar é melhor", concordam. Estão a ser benevolentes com a minha mediocridade.

O Rui mostra-me, então, um filme sobre babywearing. "Estás a sugerir, para o meu futuro, ficar a cuidar dos filhos em casa?", pergunto. Afinal não. Era uma introdução para uma prenda de graduação que me queria oferecer: um porta-bebés de pano que tinha usado quando os filhos eram pequenos. O padrão era camuflado militar.


Começou. Este foi o primeiro pesadelo sobre a defesa da tese. Vou passar um Agosto mal dormido, já percebi.

A análise amadora do sonho não me traz grandes revelações. Tenho um inconsciente demasiado óbvio.

- Definitivamente, não quero ninguém a assistir. Estou farta de propagandear este meu desejo mas dizem-me sempre que me vão "apoiar". Talvez se contar que fazem parte dos meus pesadelos me levem mais a sério.

- Tenho medo dos comentários do Eduardo B. Também já sabia. Se assim o entender cilindra-me rapidamente. Já lhe disse que tinha medo dele. Diz que tem que ser duro pois tem a reputação a manter.

- Acho a minha tese mediocre. Conheço-lhe os buracos todos. Provavelmente cairei em algum.

- O babywearing é uma actividade demasiado presente na minha vida, ultimamente. Gostaria de ter porta-bebés com novos padrões. Mas não em camuflado.

- O Rui tem tiques que lhe ficaram dos tempos da tropa em Mafra. Já todos sabemos que se tivéssemos feito a recruta como ele consideraríamos as condições de trabalho que temos um luxo que não merecemos.

4 comentários:

NoKas disse...

Esquece-te das pessoas que estão presentes (ou pensa que elas é que estão nuas)

Ter medo antes é bom, é um óptimo motor para rabalhars e não te esqueceres dos detalhes.

Ainda bem que conheces tu os buracos. Assim ninguém te apanha de surpresa e se for preciso até dás um bailinho ao júri.

Força, não vou estar lá mas estarei a apoiar-te.

Bjks

Ana disse...

Já?!
Bolas...
mas afinal já tens data marcada?
Se não quiseres não vou.
Ou vou e fico cá fora á tua espera...
Ou entro e como sempre estou nervosa por solidariedade (involuntária!) pode ser que fique mal-disposta e distraia o júri! ;-)

Camuflado=guerra=ambiente de discussão de uma tese de doutoramento? :-P

Joana disse...

Marcaram-me na segunda-feira, é dia 27 de Setembro! Prefiro que não vás, mas estás convidada para jantar nesse dia. Marquem na agenda, tu e o Santiago.

Alice disse...

Boa sorte - mas o que eu espero mesmo é que não precises dela!

E és tu a sonhar com slings e eu com quilts...